PREÇOS E POLÍTICA

. Artigos O GRANDE ACORDO OU A MONUMENTAL BOBAGEM DA GASOLINA   Relatam as agências de notícias, na tarde de terça, 08: o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, diz que o governo chegou a um acordo pelo qual as distribuidoras de gasolina vão limitar sua margem de lucro a R$ 0,05 por litro e os postos, a R$ 0,15. Diz ainda que o governo vai divulgar a lista dos postos que não cumprirem o acordo. Vamos ver se dá para entender: a margem de lucro vem depois dos custos, certo? Num país como o Brasil ou mesmo numa cidade como Brasília, é razóavel imaginar que os postos de gasolina tenham custos diferentes. O aluguel do terreno em Botucatu (SP) deve ser mais barato do que em Copacabana; a água que o pessoal usa para misturar na gasolina – ôpa, desculpem, a água usada para lavar carros e o próprio posto deve ter tarifa maior no Plano Piloto do que no Gama, em Brasília. Assim, os preços ao consumidor serão diferentes pelas cidades e pelo país afora, ainda que a margem de lucro seja a mesma, já que a margem é aplicada sobre custos diferentes. Portanto, para saber se um posto está ou não cumprindo o acordo, o governo vai precisar conhecer os custos de produção de todos os postos do país. Qualquer pessoa, mesmo sendo burocrata do governo, percebe logo que isso é impossível. Mas o ministro Tourinho diz que o governo vai publicar o nome dos postos que não cumprirem o acordo. Será que ele acredita mesmo nisso ou acha que a gente é idiota? Se dissesse que acredita na palavra dos representantes de distribuidores e postos e que estes conseguirão impor o acordo em todo o país, seria mais ingênuo, porém menos…., bom deixa pra lá.   Todos os preços Toda a gasolina consumida no Brasil é produzida pela Petrobrás. Aí, portanto, não tem dúvida quanto ao preço: o Ministério da Fazenda faz a tabela, inclusive considerando como se todo o petróleo utilizado fosse importado, que sai quatro vezes mais caro que o petróleo extraído aqui mesmo pela Petrobrás. Por isso os recentes aumentos (para equalizar com o preço internacional) e daí os enormes lucros da Petrobrás (ela usa apenas 30% de petróleo importado). As distribuidoras compram a gasolina na refinaria e mandam para os postos. Todas as distribuidoras pagam o mesmo preço, mas é óbvio que seus custos, a partir daí, são diferentes. Mandar gasolina para o Acre deve ser mais caro do que para o Rio, ao lado da refinaria. Em cima desses custos, as distribuidoras juram colocar apenas R$ 0,05 de lucro por litro. O governo ou acredita nisso ou vai ter que saber exatamente qual o custo de levar esse litro para os mais de cinco mil municípios brasileiros. De novo, será que eles estão a sério ou estão se divertindo com a gente? E depois de saber quanto cada posto pagou pelo litro de gasolina, vai ser preciso saber os demais custos de cada posto para verificar se estão colocando certinho a margem de R$ 0,15. O cartel do governo Mas vamos supor que o governo saiba isso tudo.Para o ministro Tourinho, um litro de gasolina em qualquer posto de Brasília, a R$ 1,50, já dá um bom lucro para distribuidor, dono do posto e não assalta o consumidor. Vamos supor que você tem um posto em Brasilia e, por ser muito eficiente, consegue tirar lucro de um litro vendido a R$ 1,45. Vendo todo esse noticiário, o que você faz? Fica em 1,45 ou sobe para 1,50? Em outras palavras, ao tentar tabelar a margem de lucro, o governo abre espaço para o aumento dos preços que estão abaixo e não consegue derrubar os preços que estão acima, pois os responsáveis neste caso poderão alegar que seus custos são maiores. Além disso, o governo vive alardeando que o preço do combustível, depois da refinaria, é livre e que isso é bom para estimular a competição. O governo também vem dizendo que vai punir postos e distribuidoras que combinarem preços. E começa ele mesmo, governo, tabelando a margem de lucro!!! Dúvida cruel De novo, caro ou cara visitante deste site: será que nos escapou alguma coisa? Porque, se não escapou, estamos diante de uma bobagem monumental. E será que eles acreditam nisso ou só pensam que a gente acredita? O fato é que diversos setores do governo estão recaindo nas velhas tentativas de segurar preço na ameaça, na marra, na tabela, na polícia. O ministro da Saúde, José Serra, disse que o Procon de São Paulo vai vigiar as farmácias para saber se estão cumprindo o acordo de congelamento de preços até o fim do ano. Olhando a quantidade de farmácias que há na cidade, verificando a diversidade de preços (com desconto à vista para aposentado, à vista sem aposentado, no cartão para aposentado, no cartão sem aposentado, e mais as promoções de cada semana) o senhor e a senhora acham mesmo que dá para fiscalizar? Mas o que essas ameaças produzem – porque sempre produziram – é aumento de preço. Sabendo que há o risco de tabela, congelamento e de ser vítima de um "fiscal do Serra", o dono da distribuidora e/ou da farmácia primeiro eleva o preço base e depois, olhando o mercado e a concorrência, coloca ou não os descontos. O que não faz a busca de popularidade…E olha que, no começo, funciona. A pesquisa de opinião Vox Populi, também conhecida na terça, mostra que as pessoas prestaram muita atenção no noticiário sobre o congelamento do preço dos remédios. Não seria a primeira vez que os brasileiros se decepcionariam com congelamentos derretidos.

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