JUROS NO BRASIL E NO EXTERIOR

. JUROS ESTÁVEIS NOS EUA E NO BRASIL O destaque desta semana é taxa básica de juros. Na terça à tarde, o banco central americano informa sua taxa, que segundo o consenso entre os analistas deve ser mantida em 6,5% ao ano. Na quarta, final da tarde, o Banco Central brasileiro anuncia a sua taxa para os próximos 30 dias. Também deverá ser mantida, mas nos atuais 16,5%. (Sabe como é, juro de país emergente é mais caro.) No caso dos EUA, não existe nenhuma aposta em outra hipótese senão a manutenção dos 6,5%. Quase nunca ocorrem surpresas. O banco central vai sinalizando a direção e a abundância de indicadores permite formar um juízo muito seguro sobre a situação econômica. Os indicadores hoje mostram que a economia americana está em desaceleração, respondendo ao longo processo de elevação gradual e segura dos juros (foram de 4,75% aos atuais 6,5%). No Brasil, a economia é naturalmente mais instável, não há indicadores tão precisos, a experiência de estabilidade é reduzida – de modo que surpresas ocorrem. Como foi na última reunião, quando poucos esperavam a redução dos juros aplicada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Para esta semana, apenas um economista de peso, Carlos Kawall, do Citibank, acha que o Copom poderia reduzir os juros para 16%. Seu argumento principal: a alta de inflação, que seria o principal obstáculo, é apenas um repique e deve desacelerar já a partir deste mês. Assim, prevalecem os argumentos pró-redução: 1. perspectiva de inflação controlada a médio e longo prazo; 2. melhora da avaliação dos investidores estrangeiros sobre o Brasil, expressa na compra de títulos do governo brasileiro com 40 anos de prazo e na compra de ações da Petrobrás. 3. anúncio da agência de classificação Moody`s de que está revendo a nota do Brasil, com vistas a uma possível elevação (nota mais alta significa risco menor e, pois, o governo e as empresas brasileiras pagam menos juros quando se financiam no exterior). 4. estabilidade dos juros americanos. A instabilidade na Argentina é um fator negativo. Mas de pouco peso, mesmo porque o desfecho da crise deles não é para logo. O tango é longo. Nesse ambiente, é razoável que o BC brasileiro suba no muro, isto é, mantenha a taxa em 16,5%, mas colocando o viés de baixa – um instrumento que permite ao presidente do BC reduzir os juros antes da reunião de 19 de setembro. O viés seria utilizado caso a inflação mostrasse recuo no final deste mês, início do próximo. Mas também terá lógica se o BC simplesmente mantiver os 16,5%, sem viés, esperando pela reunião de setembro. As apostas mais ousadas, digamos assim, sustentam que a taxa básica chegará ao final do ano em 15% – que poderia ser alcançada na reunião de novembro. Se houver redução nesta quarta, então o BC estará sabendo algo a respeito da inflação que os outros não sabem. Há quem diga que o BC pode reduzir a taxa por razões políticas – para ajudar o governo e presidente FHC. É improvável. Eles, equipe econômica e o presidente, sabem que esse tipo de política sempre dá errado. E que daria errado, com volta da inflação, ainda antes de terminar o mandato do presidente.

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