JUROS ESTÁVEIS NOS E.U.A – JUROS EM QUEDA AQUI.

. A melhor dica para esta semana é a seguinte: se o banco central americano mantiver a taxa básica de juros lá deles em 6,5% ao ano, é muito provável que logo em seguida o Banco Central do Brasil reduza a taxa básica local, hoje de 17,5% para, talvez, 17%.
O Federal Reserve, Fed, banco central dos EUA, reúne-se a partir de terça-feira, em Washington. A decisão sobre os juros será anunciada na quarta, às 3 e 15 no horário brasileiro.
A expectativa dominante no mercado financeiro mundial é pela manutenção da taxa em 6,5%. Isso porque a economia americana vem dando seguidos sinais de desaceleração, uma resposta esperada à política de alta de juros aplicada pelo Fed nos últimos doze meses, período em que a taxa foi de 4,75% para 6,5%.
Desde março último, toda a instabilidade no mercado financeiro internacional decorria quase exclusivamente do temor de novas altas de juros nos EUA. Parecia então que a economia americana não reagia à alta de juros – continuava em forte expansão, com sinais de inflação.
Nas últimas três semanas, porém, diversos indicadores mostraram que o consumidor americano finalmente estava reduzindo suas compras – especialmente reduzindo compras de coisas que dependem de crediário, como casas e carros, um sinal de que a alta de juros cumpria a função de desestimular o consumo.
Daí a sensação de alívio nos mercados mundiais e a expectativa de que agora o Fed poderá deixar a taxa como está.
Não é, entretanto, cem por cento seguro. Diretores do Fed têm dito que, sim, há sinais de desaceleração, mas, numa economia complexa, ao lado de sinais de aceleração e inflação. A quase unanimidade dos analistas entende, porém, que o Fed poderá deixar a taxa nos 6,5% agora, entrar em observação e, se for o caso, dar mais puxada para 6,75% na reunião de agosto.

E NÓS COM ISSO?
Neste ano, o Brasil precisa captar no exterior (em investimentos diretos, empréstimos e financiamentos), algo como US$ 50 bilhões para fechar as contas externas.
Claro, portanto, que quanto maior for a taxa de juros internacional, balizada pela taxa americana, mais caro é o financiamento das contas externas brasileiras. Assim como fica mais cara a dívida externa brasileira já constituída.
Finalmente, num mercado aberto, as taxa de juros local guarda relação com a internacional. No caso, a taxa brasileira tem de ser uma soma da taxa americana, mais uma previsão de desvalorização do real e mais uns tantos pontos pelo chamado risco Brasil (isto é, o prêmio que o investidor demanda para aplicar no Brasil em vez de deixar seu dinheiro no mercado seguro dos EUA ou Europa).
Assim, eis o nosso ponto: quanto menor a taxa americana, menor pode ser a taxa brasileira.
Na semana passada, o BC brasileiro reduziu a taxa básica local de 18,5% para 17,5% e introduziu o viés de baixa. Isso significa que o presidente do BC, Armínio Fraga, pode reduzir mais uma vez a taxa antes da próxima reunião formal do Comitê de Política Monetária, o Copom, colegiado que define os juros básicos.
Esse viés de baixa foi introduzido principalmente à espera da decisão americana. Mantidos os 6,5% americanos, é quase certo que a taxa cai aqui logo em seguida.
E se o Fed aplicar mais um aumento, para 6,75%?
Bom, os juros aqui não sobem. E a possibilidade de nova queda torna-se mais remota. Fica para julho.
PARA OS SINAIS DE DESACELERAÇÃO DA ECONOMIA AMERICANA, VEJA NOTAS ANTERIORES NA SEÇÃO EM CIMA DOS FATOS, ACESSADA PELO ARQUIVO.
NA MESMA SEÇÃO, VEJA TAMBÉM A NOTA DE 23/06, SOBRE A QUEDA DOS JUROS BRASILEIROS.

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