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	<title>Destaque - Carlos Alberto Sardenberg - Portal Oficial</title>
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	<description>Carlos Alberto Sardenberg</description>
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	<title>Destaque - Carlos Alberto Sardenberg - Portal Oficial</title>
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		<title>Entre pelegos e não pelegos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[maples@maples]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Oct 2022 03:11:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna publicada em O Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se o objetivo de um e outro era sair da respectiva bolha, Lula saiu-se melhor. Obteve apoios importantes, que vieram sem cobrança e com uma posição que ajuda na busca de eleitores indecisos. Ajuda a escapar da polarização.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Entre pelegos e não pelegos</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Carlos Alberto Sardenberg</p>



<p>Foi positivo que tenha havido um segundo turno. Mesmo sem grandes novas alianças partidárias, Lula e Bolsonaro tiveram que ampliar repertório, elencos de apoio e foram mais expostos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se o objetivo de um e outro era sair da respectiva bolha, Lula saiu-se melhor. Obteve apoios importantes, que vieram sem cobrança e com uma posição que ajuda na busca de eleitores indecisos. Ajuda a escapar da polarização.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sim, porque se o embate se dá entre o bem e o mal absoluto, isso mantém no jogo apenas os fiéis de cada lado. Mas o Brasil seria isso? Metade lulista e metade bolsonarista?</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Simone Tebet, cujo crescimento como figura nacional até se reforçou após o primeiro turno, respondeu. Não é lulista, não apoia o programa histórico do PT, mas vota no ex-presidente por entender que esse voto preserva a democracia. Não é apenas um voto anti-Bolsonaro, mas a favor de algo mais.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A polarização, numa psicanálise de leigos, é primitiva. Divide o mundo entre bem e mal, as situações pessoais entre “gosto e odeio”. Estamos vendo muito desse primitivismo. A civilização é mais complexa que isso. O diabo, às vezes, pode não ser tão diabólico.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pensando nisso, me veio uma memória de 1982, na campanha de Franco Montoro para governador de São Paulo. Lá pelas tantas, ficou claro que Montoro ia ganhar de lavada. Consequência: começaram a chover apoios.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Um belo dia, Montoro recebeu a adesão entusiasmada de líderes sindicais que haviam passado muitos anos convivendo com o regime militar.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Terminada a cerimônia, um grupo de jovens do MDB foi se queixar com o chefe da campanha, Chopin Tavares de Lima. Aqueles caras eram pelegos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sua resposta: se a gente dividir o mundo entre pelegos e não pelegos, eles certamente caem no grupo dos pelegos. Mas o mundo não se divide assim.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fica a dica.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lula recebeu apoios de não-petistas, e mesmo de não-petistas históricos, a começar por Alckmin. É verdade que este tem interesse pessoal no caso, mas enfim&#8230; E FHC pediu votos para Lula – e pronto.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Certamente por isso, Lula não entregou o que muitos esperavam: uma declaração firme por uma política econômica responsável, alguma mea culpa pela corrupção e a promessa inequívoca de um governo além da dominância petista.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na carta divulgada nesta semana, cabe muita coisa, inclusive a volta à política econômica chamada de nova matriz – e que conduziu o país à combinação de recessão profunda com inflação elevada. Promessas de campanha apontam nessa direção, de gasto público irresponsável.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Por outro lado, Henrique Meirelles tornou-se uma espécie de porta-voz econômico, garantindo que haverá uma gestão comprometida com o equilíbrio das contas públicas. Cita como referência os oito anos que trabalhou com Lula como presidente do Banco Central.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não conta, entretanto, que no segundo mandato de Lula, o então ministro Mantega tentou e quase conseguiu derrubar Meirelles, para colocar no seu lugar um neo-desenvolvimentista.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Essa tensão, entre petistas e não petistas, já aparece claramente nas movimentações em torno da campanha de Lula e nas “listas” de ministros, isso mesmo, que já aparecem aqui e ali.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considerando que a situação econômica é bem difícil – déficit primário elevado, BC mantendo juros reais elevados – os dilemas de Lula, se eleito, tornam-se ainda mais complexos. Vai governar tendo recebido o não de quase metade do país. Precisa ir muito além de sua turma.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Do outro lado, Bolsonaro acumulou desastres.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A denúncia da última semana – segundo a qual emissoras de rádio do Nordeste estariam transmitindo mais propaganda de Lula do que de Bolsonaro – revelou-se ridícula. Uma auditoria da própria campanha bolsonarista colocava nessa suposta manobra oito – oito! – emissoras, num universo de mais de 5 mil rádios em atividade.</p>



<p>Se é o mesmo pessoal que está armando o golpe &#8230;então é a turma das organizações tabajara. Lembram-se? Casseta e planeta.</p>



<p>Mas toda cautela vale. Se não é propriamente um ás do planejamento, o presidente é impulsivo e sem limites.</p><p>The post <a href="https://sardenberg.com.br/entre-pelegos-e-nao-pelegos/">Entre pelegos e não pelegos</a> first appeared on <a href="https://sardenberg.com.br">Carlos Alberto Sardenberg - Portal Oficial</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Tanto pró e tanto contra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[maples@maples]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Oct 2022 03:01:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna publicada em O Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tanto pró e tanto contra Carlos Alberto Sardenberg Em termos técnicos, pode-se dizer que todos os institutos de pesquisa estão certos, cada um à sua maneira. Quer dizer, conforme os métodos e critérios que utilizam. Mas, se todos estão corretos ao mesmo tempo e mostram resultados diferentes, pode-se dizer também que todos estão errados. Ou [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Tanto pró e tanto contra</p>
<p>Carlos Alberto Sardenberg</p>
<p>Em termos técnicos, pode-se dizer que todos os institutos de pesquisa estão certos, cada um à sua maneira. Quer dizer, conforme os métodos e critérios que utilizam. Mas, se todos estão corretos ao mesmo tempo e mostram resultados diferentes, pode-se dizer também que todos estão errados.</p>
<p>Ou seja, não é por aí que se vai entender o que se passa no país. E o que se passa? Há um momento ou, se quiserem, uma onda de direita, conservadora, pró-capitalista, e que é muito maior que o bolsonarismo raiz, este sendo a extrema-direita.</p>
<p>No caso da eleição presidencial, os maiores institutos e a maior parte dos analistas enxergaram uma onda de voto útil pró-Lula, um forte sentimento para acabar com a coisa no primeiro turno.</p>
<p>Houve esse voto útil, mas não na escala antecipada. O movimento não saiu das elites partidárias e intelectuais.</p>
<p>E houve uma espécie de contra voto útil, em Bolsonaro. Isso não foi captado. O presidente teve um resultado melhor do que o indicado nas pesquisas.</p>
<p>Pode-se resumir assim: o voto à esquerda foi superestimado. Inversamente, o voto à direita foi subestimado.</p>
<p>Não foi a primeira vez. Há um padrão aí. Nas duas eleições que venceu, Lula teve no primeiro turno menos votos do que indicavam as pesquisas. Idem para Dilma e para Haddad, este em 2018.</p>
<p>E neste ano, esse padrão foi claramente registrado nos estados, nas eleições para governador e senador. Em quase todos os lugares, a direita foi subestimada.</p>
<p>Considerem São Paulo. Tarcísio de Freitas, a direita, parecia disputar a segunda vaga com Rodrigo Garcia (PSDB), Haddad liderando fácil. Nas urnas: Tarcísio com folgada liderança, Haddad decepcionado.</p>
<p>E ninguém acreditava que o astronauta se elegeria, muito menos com tanta facilidade.</p>
<p>Considerem o Rio Grande do Sul. O bolsonarista Ônix parecia disputar a segunda vaga. Pois chegou bem na frente. Eduardo Leite (PSDB), suposto favorito, passou raspando para o segundo turno e está bem atrás.</p>
<p>No Rio, Castro estava na frente, mas chegou com muito mais folga.</p>
<p>Idem para Romeu Zema (Novo) em Minas.</p>
<p>O que aconteceu?</p>
<p>Uma resposta: é o antipetismo. Outra, paralela: pesaram muito dois tipos de votos, o evangélico e o de costumes, de conservadores contra agenda progressista.</p>
<p>Não pode ser só isso.</p>
<p>No interior de estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, por exemplo, o voto evangélico não tem peso significativo. Podem ser conservadores, mas não radicais.</p>
<p>Em São Paulo, Tarcísio teve mais de 9 milhões de votos. Seria tudo antipetista? Tudo fascista?</p>
<p>Tem que ser também a favor de alguma coisa. E basta olhar os temas fortes da campanha vencedora: obras, privatização, concessões, liberdade de empreender, garantias ao ambiente de negócios.</p>
<p>Vale também, e muito especialmente, para Romeu Zema em Minas, aliás, desde já um importante quadro da direita. Ele teve mais votos que Bolsonaro.</p>
<p>Bolsonaro teve 51 milhões de votos. De novo, não é possível que sejam todos extremistas reacionários. Bolsonaro ganhou no Sul, Sudeste e Centro-oeste, regiões que têm uma característica em comum: são as mais desenvolvidas e pelo modelo capitalista. É o setor privado que comanda. E esse pessoal se incomoda com o intervencionismo estatal do PT.</p>
<p>Já Lula ganhou no Nordeste e no Norte, onde as populações e a economia são mais dependentes de ações dos governos.</p>
<p>Tudo considerado, esse movimento da direita é muito maior que o Bolsonaro extremista.</p>
<p>Inversamente, e como já se viu em outras eleições, Lula é maior que o petismo.</p>
<p>Não é por acaso que políticos em torno de Bolsonaro procuram “moderar” o presidente e afastar os bolsonaristas raiz, aquela turma de 2018.</p>
<p>Lula se move para o centro. Os votos dos pais do Real e de Simone Tebet, por exemplo, vão nessa direção. Além disso, esses votos se baseiam na convicção de que Bolsonaro é ameaça à democracia – pelo que já fez e pelo que pode tentar, dado o peso conservador no novo Congresso.</p>
<p>Em resumo, a direita civilizada acha que Bolsonaro pode até tentar, mas não conseguirá dar o golpe. O centro e o centro-esquerda esperam a volta do Lula do primeiro mandato.</p><p>The post <a href="https://sardenberg.com.br/tanto-pro-e-tanto-contra-3/">Tanto pró e tanto contra</a> first appeared on <a href="https://sardenberg.com.br">Carlos Alberto Sardenberg - Portal Oficial</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>O voto FHC</title>
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		<dc:creator><![CDATA[maples@maples]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Sep 2022 03:07:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna publicada em O Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>         Em circunstâncias normais, Fernando Henrique Cardoso pediria voto para a chapa Simone Tebet (MDB) e Mara Gabrilli (PSDB). FHC é simplesmente o maior nome da história do PSDB, como teórico e político, e as duas senadoras são pessoas de indiscutível valor.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O voto FHC</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Carlos Alberto Sardenberg</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em circunstâncias normais, Fernando Henrique Cardoso pediria voto para a chapa Simone Tebet (MDB) e Mara Gabrilli (PSDB). FHC é simplesmente o maior nome da história do PSDB, como teórico e político, e as duas senadoras são pessoas de indiscutível valor.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas as circunstâncias são anormais. Começa que o PSDB é uma ave em extinção. Há candidaturas interessantes aqui e ali, mas distantes da social-democracia, o centro-esquerda que construiu boa parte das boas instituições atuais, a começar pela moeda.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A rigor, pode-se dizer que FHC e seus velhos companheiros não se reconhecem mais nesse PSDB. Eles sempre foram mais à esquerda e não se conformaram, em 2018, com governadores eleitos na onda bolsonarista.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mara Gabrilli não estava nessa onda, permanece tucana rara. Simone Tebet aparece como uma possível nova liderança em uma centro-esquerda mais atualizada. Ambas merecem o voto de FHC.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas a chapa não decolou. Inversamente, o bolsonarismo mostrou-se pior do que as piores expectativas. É preciso derrotá-lo de maneira exemplar – eis um dos textos implícitos na nota de FHC, escrita por companheiros mais próximos e divulgada no último dia 22. E quem pode aplicar essa derrota é Lula.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sendo assim, por que FHC não pediu votos diretamente para Lula?</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Aqui pesou sua história e uma compreensão mais ampla da política brasileira. A nota defende a democracia, o combate às desigualdades, a garantia de direitos iguais, compromisso com ciência, educação e preservação ambiental, além da restauração da posição internacional do Brasil, aliás engrandecida nos dois governos FHC.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ora, Simone Tebet e Mara Gabrilli têm plena identidade com essas propostas. Ciro também pode assiná-las.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Daí minha interpretação: FHC está pedindo aos brasileiros que no primeiro turno votem em Lula, Simone ou Ciro; no segundo, se houver, Lula, sem dúvida.</p>



<p>Reparem que a nota não traz qualquer menção a política econômica, muito menos ao tema da corrupção. Fica na política e nos princípios sociais.</p>



<p>Economia certamente dividiria as três chapas. FHC foi o introdutor da noção de estabilidade fiscal, monetária e das privatizações, por exemplo. Isso está na chapa Tebet/Gabrilli. Mas Lula e Ciro têm se manifestado contra.</p>



<p>Tebet e Ciro atacam a corrupção, Lula foge do assunto.</p>



<p>Eis porque a derrota do bolsonarismo, da extrema-direita e do fascismo é um passo essencial, mas não recoloca o Brasil no rumo do crescimento sustentado e socialmente justo, sobretudo porque o líder Lula não apresentou programa econômico com começo, meio e fim.</p>



<p>Desse ângulo, talvez um segundo turno tivesse a propriedade de levar Lula, agora com papel importante de Alckmin, a buscar alianças ao centro. A tarefa do próximo governo é complicada. Sobram problemas imediatos e estruturais: inflação, contas públicas esfaceladas, baixa capacidade de investimento público, ambiente pouco favorável ao investimento privado, desastres ambientais, sistema de combate à corrupção desmontado.</p>



<p>Reparem: políticas ambientais e combate à corrupção constituem hoje requisitos internacionais para o posicionamento político e econômico de qualquer país, ainda mais de um emergente grandão como o Brasil.</p>



<p>De outro lado, na medida em que o Ocidente perdeu a confiança na Rússia e se incomoda cada vez mais com a ditadura chinesa, o Brasil tem a oportunidade de se tornar um polo confiável.</p>



<p>Vejam quanto se demanda de um novo governo.</p>



<p>Finalmente, muitos argumentam que uma vitória de Lula no primeiro turno seria um antídoto a qualquer tentativa de golpe. Mas se há mesmo militares se preparando para um golpe, o que não se vê, tanto faria ser no primeiro ou no segundo turno.</p>



<p>Uma vitória esmagadora de Lula, mas com ampla coalizão no segundo turno, seria um golpe duradouro na extrema-direita. Além disso, somando os votos de Lula, Simone e Ciro no primeiro turno, isso já caracterizaria a derrota da extrema-direita.</p>



<p>A ver.</p><p>The post <a href="https://sardenberg.com.br/o-voto-fhc/">O voto FHC</a> first appeared on <a href="https://sardenberg.com.br">Carlos Alberto Sardenberg - Portal Oficial</a>.</p>]]></content:encoded>
					
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		<title>Fake ONU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[maples@maples]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 18 Aug 2018 15:24:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fake News não são apenas mentiras deslavadas. Quer dizer, muitas são, mas facilmente desmentidas. As que produzem efeitos fortes são as fake mais elaboradas, com base em algumas verdades e muitas distorções. Há um jeito simples de entendê-las: buscar a história em sua fonte original, ali de onde partiu a informação posteriormente manipulada. O caso [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Fake News não são apenas mentiras deslavadas. Quer dizer, muitas são, mas facilmente desmentidas. As que produzem efeitos fortes são as fake mais elaboradas, com base em algumas verdades e muitas distorções.</p>
<p>Há um jeito simples de entendê-las: buscar a história em sua fonte original, ali de onde partiu a informação posteriormente manipulada.</p>
<p>O caso de hoje, claro, é o comunicado do Comitê de Direitos Humanos da ONU, pedindo que o Brasil tome as medidas necessárias para garantir que Lula, mesmo preso, participe das eleições presidenciais com todos os direitos de candidato.</p>
<p>Aqui já temos um ponto: o primeiro comunicado é do Comitê de Direitos Humanos, um órgão formado por 18 “especialistas” independentes – acadêmicos em geral – e que não tem nenhum poder decisório ou mandatório. Está lá no site da ONU: a função do Comitê é “supervisionar e monitorar” o cumprimento dos acordos internacionais de defesa dos direitos humanos. E fazer recomendações, sempre em entendimento e consultas com os países envolvidos.</p>
<p>Esse comunicado não foi divulgado oficialmente, mas saiu em matéria da BBC, na última sexta-feira. Um vazamento.</p>
<p>Depois, saiu uma nota do Escritório de Direitos Humanos, no site oficial da ONU, com o título “Information note” sobre o Comitê de Direitos Humanos. Ali se explica que não se deve confundir o Comitê com o Conselho de Direitos Humanos – este um órgão de alto nível, formado por representantes (diplomatas) de 47 países e que se reporta à Assembleia Geral da Nações Unidas, o órgão máximo da entidade. E este Conselho não decidiu absolutamente nada sobre esse caso.</p>
<p>Vai daí que são fake todas as notícias do tipo: ONU manda, determina, exige que Lula participe da eleição; Conselho da ONU decide a favor de Lula, (forçando uma confusão do Comitê com o Conselho, por ignorância ou má fé); decisão do Comitê é obrigatória.</p>
<p>Tem mais. O próprio texto oficial da ONU faz as ressalvas que denunciam indiretamente aquelas fake news. Diz: “é importante notar que esta informação, embora seja emitida pelo Escritório das Nações Unidas para Direitos Humanos, é uma decisão do Comitê de Direitos Humanos, formado por especialistas independentes. (Logo) esta informação deve ser atribuída ao Comitê de Direitos Humanos”.</p>
<p>Por que a ressalva? Óbvio, para deixar claro que não se trata de decisão da ONU, nem do Conselho de Direitos Humanos, nem do Alto Comissariado, muito menos da Assembleia Geral.</p>
<p>E isso, claro, faz diferença. Pode-se dizer que o comunicado do Comitê é um primeiro passo para um longo procedimento, inclusive de consultas, antes de qualquer decisão conclusiva.</p>
<p>Também é preciso ressaltar que a segunda nota, a oficial, é uma resposta à repercussão da primeira.</p>
<p>E, de novo, é um órgão superior descompromissando a ONU da decisão do Comitê.</p>
<p>Além do mais, a própria nota do Comitê tem um jeitão de fake news. Por exemplo: pede que o “Brasil” ou o “Estado brasileiro” garanta os direitos eleitorais de Lula. De que se trata? Do executivo? Do Legislativo? Do Judiciário? Todo mundo sabe, ou deveria saber, que o caso está no Judiciário, que é independente, e que os demais poderes não podem fazer nada.</p>
<p>Logo, o Comitê deveria ter se dirigido ao Judiciário. Mas como não pode fazer isso formalmente, sai com esse vago “o Brasil” ou o “Estado”. Mostra que busca repercussão política e não efeitos práticos.</p>
<p>Além disso, o Comitê endossa totalmente a tese da defesa de Lula. Diz que o ex-presidente deve ser candidato com plenos direitos, como uma medida liminar, uma cautela &#8211; “até que todos os recursos pendentes de revisão contra sua condenação sejam completados em um procedimento justo e que a condenação seja final”.</p>
<p>Ora, todo mundo sabe que, pela decisão vigente do STF brasileiro, o condenado em segunda instância vai para a cadeia cumprir pena, mesmo que ainda possa recorrer ao STJ e STF.</p>
<p>E, atenção: a função do Comitê é supervisionar o cumprimento dos direitos humanos previstos nos diversos tratados patrocinados pela ONU.</p>
<p>E em nenhum desses tratados está escrito que cumprir pena depois da segunda instância é uma violação de direitos humanos. Reparem: nenhum tratado internacional condena a execução da pena em segunda instância. Nem em primeira instância – como ocorre em grande parte dos países, assunto que nunca mereceu a atenção do Comitê de Direitos Humanos da ONU.</p>
<p>Resumindo: a nota do Comitê é uma fake News, que originou outras fake news.</p><p>The post <a href="https://sardenberg.com.br/fake-onu/">Fake ONU</a> first appeared on <a href="https://sardenberg.com.br">Carlos Alberto Sardenberg - Portal Oficial</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Por quantos votos se compra a Previdência?</title>
		<link>https://sardenberg.com.br/por-quantos-votos-se-compra-a-previdencia/?utm_source=rss&#038;utm_medium=rss&#038;utm_campaign=por-quantos-votos-se-compra-a-previdencia</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[maples@maples]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Nov 2017 04:29:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna publicada em O Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A gente tem que admitir: além de atrapalhada, essa mistura de política, economia e mercados pode ser engraçada. O PSDB é o partido das reformas, credencial obtida no primeiro governo FHC. É verdade que parte da agremiação andou renegando as privatizações, por exemplo, mas, no essencial, e hoje, está como o partido das reformas. Pois [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>A gente tem que admitir: além de atrapalhada, essa mistura de política, economia e mercados pode ser engraçada.<br />
O PSDB é o partido das reformas, credencial obtida no primeiro governo FHC. É verdade que parte da agremiação andou renegando as privatizações, por exemplo, mas, no essencial, e hoje, está como o partido das reformas. Pois quando o ministro do PSDB, Bruno Araujo, deixou o governo , a Bolsa subiu e os mercados se animaram, entendendo que a saída favorecia a aprovação da reforma da Previdência. Ou, visto de outro lado, o PSDB estava atrapalhando, mesmo com Araujo dizendo que, na Câmara, votaria pelas reformas.</div>
<div>Quando a gente pensa que o PSDB já fez todas as bobagens, o pessoal do partido acaba arranjando outras. Mas o mais engraçado é que, no momento, o PSDB está mesmo atrapalhando as reformas, no sentido prático, digamos.</div>
<div>Ocorre que muitas lideranças da base Temer &#8211; a turma do Centrão fisiológico &#8211; andam dizendo que só votam o que sobrou da reforma da Previdência se ganharem alguns ministérios. E os postos que estão mais à mão são justamente os do PSDB, que tinha quatro ministérios e entregou apenas metade de seus votos na Câmara para salvar Temer.</div>
<div>Entre os deputados do Centrão que votaram pela derrubada das denúncias contra Temer, certamente há muitos, alguns, talvez, que acreditam na necessidade das reformas. Mas está claro que a maioria votou por dois motivos: um, obter mais vantagens do presidente Temer; outro, bloquear as investigações que, pegando o presidente, apanham muita gente em volta.</div>
<div>Ora, hoje, na Câmara, não há 308 votos sinceros pela reforma. De maneira que a proposta só passa com votos fisiolólogicos. E esse tipo de voto se compra. O Ministério das Cidades, aquele deixado por Bruno Araujo, vale ouro. Com orçamento gordo, de R$ 20 bilhões, administra o Minha Casa Minha Vida (MCMV), incluindo o novo Cartão Reforma, que é um dinheiro dado para famílias de mais baixa renda reformarem imóveis. Além disso, um ministério tem centenas de cargos para nomeação direta, sem contar os secundários.</div>
<div>Quantos votos pela reforma da Previdência vale uma carta dessa?</div>
<div>É esse tipo de conta que o presidente Temer e seu time da política estão anotando.</div>
<div>Dirão: realismo pragmático. O importante é que o cara vote, não interessando se é por consciência ou por negócio.</div>
<div>
<p>É também o que pensa o mercado. Vai até mais longe: o governo Temer tem corrupção? Passa projetos no balcão de negócios? Compra votos?</p>
<p>Carlos Alberto Sardenberg é jornalista</p>
</div>
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		<title>Milagres acontecem. Desastres também</title>
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		<dc:creator><![CDATA[maples@maples]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Nov 2017 05:06:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna publicada em O Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muita gente está desanimada com o cenário para as eleições presidenciais de 2018. E  &#8211; quer saber? &#8211; o quadro, visto de hoje,  mostra uma polarização perigosa. Esclarecendo: a polarização não é necessariamente perigosa. Não raro as sociedades ficam diante de opções opostas, entre uma agenda liberal e outra de esquerda, por exemplo. O perigo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>Muita gente está desanimada com o cenário para as eleições presidenciais de 2018.<br />
E  &#8211; quer saber? &#8211; o quadro, visto de hoje,  mostra uma polarização perigosa. Esclarecendo: a polarização não é necessariamente perigosa. Não raro as sociedades ficam diante de opções opostas, entre uma agenda liberal e outra de esquerda, por exemplo. O perigo é quando as agendas são mentirosas, quando os candidatos mais fortes se desviam das principais questões e vendem soluções fáceis.</div>
<div>Para quem acha que isso está por acontecer no Brasil, sugiro voltarmos a 1992. Collor caiu, Itamar Franco assumiu em meio a uma crise econômica parecida com o pós-Dilma, recessão com inflação, mas ainda pior porque o país não tinha moeda com um mínimo de credibilidade. Haviam circulado nada menos que cinco moedas desde 1985, ano da redemocratização.</div>
<div>Em poucos meses de governo, Itamar teve três ministros da Fazenda. As expectativas só pioravam  diante do então evidente despreparo do presidente para lidar com tamanha crise. No meio disso, Itamar recebe uma mensagem iluminada sabe-se lá de onde e nomeia Fernando Henrique Cardoso ministro da Fazenda. Talvez ninguém tenha sido mais surpreendido do que o próprio FHC, até então um satisfeito ministro das Relações Exteriores.</div>
<div>A escolha não entusiasmou. De fato, foi recebida com algum ceticismo. Fernando Henrique tinha mais credibilidade do que seus antecessores no cargo, mas não era economista nem especialmente familiarizado com a prática de política macroeconômica.</div>
<div>Foi, portanto, uma boa surpresa quando FHC, sociólogo do campo da esquerda à moda europeia, montou uma equipe com economistas de primeira e deu início a um programa claro: liquidar a inflação, introduzir a nova moeda e reformar as instituições econômicas na linha mais liberal e ortodoxa.</div>
<div>Deu no Plano Real e na eleição de FHC, em primeiro turno, em 1994 e 98, batendo Lula nas duas vezes. Não parecia, mas acabou sendo o homem certo na hora exata em que o país mais precisava.</div>
<div>O Real não foi apenas a introdução de uma moeda estável, reconhecida como tal pela população, mas o início de uma sequencia de reformas que retiraram o caráter estatizante da Constituição de 1988. Modernizou a administração, do Ministério da Fazenda às estatais e bancos públicos, e introduziu a noção e as leis de responsabilidade fiscal.</div>
<div>Portanto, pessoal, milagres acontecem e sempre tem  um jeito de sair da crise. Esta história parece dar razão à tese segundo a qual a sociedade encontra o líder que precisa na hora em que precisa. A crise gera sua solução. Acrescente aí a doutrina econômica das expectativas racionais &#8211; as pessoas sempre tomam as decisões mais racionais e mais adequadas a seus interesses e necessidades &#8211; e pronto, é só esperar que surja o FHC de 2018.</div>
<div>Fácil demais, simples demais para ser verdade. O prêmio Nobel de economia deste ano, Richard Thaler, demonstra exatamente o contrário, que as pessoas frequentemente tomam decisões irracionais, contrárias a seus interesses. Falava das decisões econômicas, pessoais, mas pode-se aplicar à política. Quantos povos em quantos países não votam de maneira totalmente equivocada?</div>
<div>Ou seria Trump um líder selecionado pela história? E Dilma? Temer?</div>
<div>Por outro lado é um fato que os franceses, colocados diante de radicais de esquerda (Mélenchon) e de direita (Marine Le Pen) e representantes da velha política, elegeram Macron, que se apresentou com uma agenda clara de reformas ditas impopulares (previdência, com aumento da idade mínima, trabalhista, com aumento da jornada de trabalho, e privatizações).</div>
<div>
<p>Portanto, pessoal, o Brasil não está perdido. Tampouco está salvo.</p>
<p>Carlos Alberto Sardenberg é Jornalista</p>
</div>
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		<title>Temer e Lula, a mesma desculpa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[maples@maples]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2017 03:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna publicada em O Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A CUT &#8211; a central sindical do PT &#8211; descobriu a causa do desemprego: a Lava Jato. Foi ao detalhe:  cada preso da operação desempregou 22 mil pessoas. Não, eles não estão de gozação. A tese, digamos, foi defendida pelo secretário de comunicação da central, Roni Barbosa, em discurso de apoio a Lula, ontem em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A CUT &#8211; a central sindical do PT &#8211; descobriu a causa do desemprego: a Lava Jato. Foi ao detalhe:  cada preso da operação desempregou 22 mil pessoas. Não, eles não estão de gozação. A tese, digamos, foi defendida pelo secretário de comunicação da central, Roni Barbosa, em discurso de apoio a Lula, ontem em Curitiba.</p>
<div>
<div>         No mesmo momento, em Brasília, no plenário do STF, o advogado Antônio Mariz sustentava que a Procuradoria Geral da República &#8220;atrapalha o país&#8221; ao apresentar denúncias de corrupção contra o presidente.  Isso porque, alegou, a PGR &#8220;impede Temer de trabalhar&#8221;. Chegou a pedir: &#8220;deixem o presidente em paz&#8221;.</div>
<div></div>
<div>         Um defende Lula, outro defende Temer, mas a tese, digamos, é exatamente a mesma -uma versão nova do clássico &#8220;rouba mas faz&#8221;.</div>
<div></div>
<div>         O pessoal da CUT diz que a Lava Jato paralisou grandes empreiteiras e outras empresas especialmente do setor de óleo e gás, o que levou o país à recessão e ao desemprego. Quer dizer com isso que se não houvesse a operação contra a corrupção, estaria tudo bem: o PIB crescendo, os brasileiros trabalhando, o PT no poder &#8230;. e os ladrões roubando sossegadamente. (Esta última conclusão, claro, é nossa.)</div>
<div></div>
<div>         Como Lula representa aquele momento de expansão, denunciá-lo e processá-lo é uma conspiração dos que não querem o crescimento do Brasil. Entre estes, certamente estão o presidente Temer e seus associados.</div>
<div></div>
<div>         Na versão Mariz fica assim: o país está voltando a crescer depois da recessão do lulopetismo, essa recuperação se deve ao presidente Temer, de modo que não é hora de denunciá-lo. Quem faz isso, como o procurador Janot, só pode estar conspirando contra o Brasil.</div>
<div></div>
<div>         Mas como não se pode defender publicamente a corrupção, cujas evidências são arrasadoras, os dois lados se desviam da mesma maneira: é coisa dos outros.</div>
<div></div>
<div>         Um dos vice-presidentes do PT, o ex-ministro Alexandre Padilha, garantiu ontem que as malas e caixas de dinheiro encontradas no incrível apartamento de Salvador foram resultado de corrupção feita no governo Temer e não quando Geddel Vieira Lima, o dono ou fiel depositário da dinheirama,  foi ministro de Lula e diretor da Caixa Econômica na gestão Dilma. Como pode saber disso? Deu uma olhada nas fotos e &#8220;descobriu&#8221; que as notas eram novinhas.</div>
<div></div>
<div>         Argumento mais do que duvidoso. Geddel ficou anos nas administrações petistas e, na Caixa, controlava financiamentos de bilhões. Foi dali que saiu o grosso da propina, dizem diversos delatores e testemunhas. O governo Temer tem pouco mais de um ano, tempo parcialmente aproveitado por Geddel, que está preso.</div>
<div></div>
<div>         Mas isso não libra o PMDB, pois Geddel, membro histórico do partido, estava nos governos petistas como representante de Temer. O que fazer?</div>
<div></div>
<div>         Tentar mostrar que Temer e o partido não têm nada com isso. Ontem, o PMDB formalizou o afastamento de Geddel Vieira Lima.</div>
<div></div>
<div>         Do mesmíssimo modo, o pessoal de Lula está dizendo que Antônio Palocci &#8211; chefe de campanha de Lula e Dilma, ex-ministro dos dois, grande chefe do PT por anos &#8211; &#8220;nunca foi um verdadeiro petista&#8221;.</div>
<div></div>
<div>         Tudo considerado, está na cara que há mesmo uma conspiração nacional: contra a Lava Jato. Claro que os atores dos dois lados sabem perfeitamente que houve grossa roubalheira. Sabem também que não dá para enganar os eleitores por muito tempo.</div>
<div></div>
<div>         Tanto sabem que já chegaram às teses mais ridículas. Essa de que cada preso da Lava Jato gerou 22 mil desempregados é o máximo da estupidez. Mas o advogado Mariz, um homem culto, quase chegou a dizer que denunciar Temer trás de volta a recessão e a inflação.</div>
<div></div>
<div>         Diante disso, a estratégia que une todos &#8211; de Lula a Temer, passando por Aécio &#8211; é barrar a Lava Jato para minimizar os danos. Ser réu, acusado, é ruim, mas ainda é melhor que preso.</div>
<div></div>
<div>         A decisão do STF de ontem &#8211; de manter Janot e ressalta a prerrogativa da PGR de investigar e denunciar o presidente quando julgar necessário &#8211; e as sucessivas ações recentes da Lava Jato indicam que não será fácil acabar com a maior operação contra a corrupção.</div>
<div></div>
<div>         Uma última palavra: dizer que o país só avança no &#8220;rouba mas faz&#8221; e que é preciso ser tolerante com a corrupção para preservar o progresso, é como acreditar que todo mundo aqui é ladrão e que este país não tem futuro.</div>
<div></div>
<div>         Piada?</div>
<div></div>
<div>         Sei que muita gente não gosta de piada numa hora dessas, mas é irresistível. Por exemplo:</div>
<div></div>
<div>         Proposta CUT contra o desemprego: soltem todos os presos da Lava Jato.</div>
<div></div>
<div>         Dos amigos de Geddel: qual o problema? A família sempre gostou de guardar dinheiro vivo.</div>
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<div>         Garotinho deixou de apresentar seu programa de rádio por um problema de voz &#8211;  voz de prisão.</div>
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