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	<title>ditadura - Carlos Alberto Sardenberg - Portal Oficial</title>
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		<title>Abaixo a ditadura, pô!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[maples@maples]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 May 2018 22:48:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna publicada em O Globo]]></category>
		<category><![CDATA[ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[governo militar]]></category>
		<category><![CDATA[socialismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Estamos em 1969, o governo militar havia editado o Ato Institucional número 5, no que foi um endurecimento do regime e uma escalada da repressão. Em São Paulo, na esquina de rua Itambé com avenida Higienópolis, havia um casarão protegido por muros altos e compridos. Tela ideal para as pichações a que se dedicavam os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Estamos em 1969, o governo militar havia editado o Ato Institucional número 5, no que foi um endurecimento do regime e uma escalada da repressão. Em São Paulo, na esquina de rua Itambé com avenida Higienópolis, havia um casarão protegido por muros altos e compridos. Tela ideal para as pichações a que se dedicavam os movimentos estudantis alojados na Faculdade de Filosofia, ali ao lado, na rua Maria Antonia.</p>
<p>         Assim, numa manhã, o muro apareceu com letras enormes: Abaixo a ditadura. Logo no dia seguinte, porém, as paredes estavam branquinhas de novo. Mais um dia e, lá estava, Abaixo a Ditadura, slogan da época, posto durante a noite. Mais um dia, e o muro amanhece lavado e pintado. Na quinta manhã dessa disputa, os pichadores perdiam a paciência, mas não o humor. Escreveram: Abaixo a ditadura, pô!</p>
<p>         Lembrei do slogan nos últimos dias, quando ouvintes do meu programa na CBN enviaram e-mails defendendo a ditadura militar dos anos 60 e 70 e pedindo a sua volta. Reagiam ao noticiário sobre documentos da CIA que mostravam que os presidentes Ernesto Geisel e João Figueiredo não apenas sabiam como autorizavam a execução de &#8220;subversivos perigosos&#8221;.</p>
<p>         Confesso que me surpreendi com essa reação. Pensava que a ideia de ditadura militar estava sepultada na nossa história, sendo defendida, talvez, por pequenos grupos desavisados. Parece que é mais gente do que isso.</p>
<p>         O que exige o comentário, aqui reproduzindo e ampliando o que disse na CBN.</p>
<p>         Os que defendem a ditadura militar recorrem a quatro argumentos.</p>
<p>         O primeiro sustenta que o regime dos anos 60 e 70 foi muito eficiente na promoção do desenvolvimento econômico. O exemplo é o período de 1968 a 73, quando o país cresceu a mais de 10% ao ano.</p>
<p>         Verdade que cresceu, mas esse foi um momento de prosperidade mundial. Havia crescimento em boa parte do mundo e liquidez abundante, capitais externos para investimentos e empréstimos a juros baixos. O regime militar pegou essa onda. E pegou mal, porque quando a situação externa piorou, com a crise do petróleo e dos juros internacionais, o país estava despreparado. Caiu na inflação, na recessão e na moratória de uma dívida externa insustentável.</p>
<p>         A queda foi pesada. Quando os militares se retiraram, em 1985, o Brasil estava assim: inflação de quase 200%; dívida pública equivalente a 30% do PIB, vindo de apenas 5% no início dos anos 70; dívida externa 20 vezes maior que a de 1970.</p>
<p>         Além disso, muitos obras faraônicas deixadas pelo caminho, como a Transamazônica e a Ferrovia do Aço (&#8220;loucura de botar sujeito na cadeia&#8221;, segundo comentário de Eugenio Gudin), estatais endividadas.</p>
<p>         Eficiência?</p>
<p>         No segundo argumento, os defensores da ditadura dizem que pelo menos não havia corrupção. Errado de novo. Havia. Apenas não podia ser descoberta. Mas o pessoal de dentro sabia. O que levou Mario Henrique Simonsen, ministro de Geisel e Figueiredo, a  deixar uma de suas frases histórias: &#8220;Às vezes, é melhor pagar a comissão e não fazer a obra; sai mais barato&#8221;.</p>
<p>          Argumentam ainda os saudosos da ditadura que o regime botava ordem na casa. Com censura à imprensa, restrição severa sobre o Judiciário e o Congresso, aniquilação de opositores e eleições controladas.</p>
<p>         Finalmente, quarto argumento, dizem que é melhor uma ditadura militar do que uma ditadura comunista. E voltam assim à tragédia política dos anos 60 e 70: a direita justificava a sua ditadura como meio de evitar a instalação de um regime à cubana por aqui. A esquerda revolucionária, que de fato treinava em Cuba, atacava a ditadura militar esperando que sua derrubada levasse não à democracia que chamavam de burguesa mas ao socialismo da ilha, que também aniquilava seus opositores.</p>
<p>         Foi uma triste história.</p>
<p>         Mas prevaleceram os verdadeiros democratas, liderados por Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e Franco Montoro.</p>
<p>         Parecia que a lição estava aprendida. E aí aparecem, de um lado,  os defensores do regime militar, dizendo que nossa democracia é fraca para conter as esquerdas e os corruptos. No outro, as esquerdas, dizendo que a democracia é ilegítima, que é contra os pobres e pune Lula e seu pessoal não porque são corruptos, mas porque são do povo.</p>
<p>         É de se lamentar. Dos dois lados, um desprezo pela democracia, pelo Judiciário, pela imprensa livre.</p>
<p>         Por isso é preciso repetir: Abaixo a ditadura, pô! Mas acrescentando o que os jovens daquele momento não escreveram: E viva a democracia. </p><p>The post <a href="https://sardenberg.com.br/abaixo-a-ditadura-po/">Abaixo a ditadura, pô!</a> first appeared on <a href="https://sardenberg.com.br">Carlos Alberto Sardenberg - Portal Oficial</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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