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	<title>crise Petrobras - Carlos Alberto Sardenberg - Portal Oficial</title>
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		<title>Equívocos, danos e uma boa proposta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[maples@maples]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 31 May 2018 03:50:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Coluna publicada em O Globo]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[crise Petrobras]]></category>
		<category><![CDATA[tabelamento de diesel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O governador de São Paulo, Marcio França, candidato à reeleição, propôs o tabelamento do preço do diesel (reduzido) e dos fretes (aumentado). Os governos já tabelaram muita coisa no Brasil &#8211; e o resultado foi sempre o mesmo, mercado paralelo, escassez e preços em alta. No caso, além desse precedente, há o fator Petrobras: a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O governador de São Paulo, Marcio França, candidato à reeleição, propôs o tabelamento do preço do diesel (reduzido) e dos fretes (aumentado). Os governos já tabelaram muita coisa no Brasil &#8211; e o resultado foi sempre o mesmo, mercado paralelo, escassez e preços em alta. No caso, além desse precedente, há o fator Petrobras: a empresa não seria obrigada a operar no vermelho?</p>
<p>O governador respondeu: &#8220;Não dá para uma empresa brasileira, que também pertence aos brasileiros, querer pensar em dólar&#8221;.</p>
<p>Parece fazer sentido, mas é um equívoco enorme. Não se trata de &#8220;querer pensar&#8221;. O fato é que a Petrobras compra em dólar, vende em dólar, toma empréstimo e recebe investimentos em dólar. Não porque queira. Mas porque não tem como fazer isso tudo apenas em reais.</p>
<p>Na verdade, o governador apenas seguiu ideias, quer dizer, a opinião rala de que políticas &#8220;justas&#8221; não têm custo. E no entanto, é claro: se a estatal tem prejuízo vendendo para alguns brasileiros, a conta vai acabar no bolso de outros brasileiros.</p>
<p>Assim como ocorre com o esquema de preços do diesel, o esquema negociado. Serão reduzidos os impostos sobre o óleo diesel e o governo federal vai subsidiar o combustível, ou seja, vai pagar parte do preço. Portanto, o governo, que está operando com déficit, vai arrecadar menos dinheiro e ter uma despesa a mais.</p>
<p>Vai daí que só tem duas possibilidades. Ou cobra impostos de outros setores ou gasta menos em obras e serviços que atendem a outras pessoas.</p>
<p>Não pode aumentar impostos &#8211; reagem líderes políticos, assim respondendo a bronca de muita gente. O governo admite e ministros garantem que não haverá aumento de impostos, mas redução de incentivos.</p>
<p>Incentivo, no caso, significa simplesmente o seguinte: o setor beneficiado paga menos imposto. Retirado ou reduzido o incentivo, o setor inevitavelmente vai pagar mais impostos &#8211; chamem isso como quiserem.</p>
<p>Por exemplo, o governo paga aos exportadores 2% do que vendem no exterior. Isso é justificado como o ressarcimento de impostos cobrados no processo de produção. Ok, digamos que é correto, que não se deve exportar impostos. Mas o caso permanece: se for retirado esse incentivo, o exportador vai pagar mais imposto para subsidiar o gasto do governo com o óleo diesel.</p>
<p>Em bom português: é retirar um subsidio para financiar outro subsidio. Ou, aumentar um imposto aqui para reduzir ali.</p>
<p>Exatamente como ocorre com a alegação de que haverá apenas &#8220;reoneração&#8221; da folha de pagamentos de vários setores industriais. Ora, reonerar com o que? Com impostos que haviam sido eliminados.</p>
<p>Atenção, subsídios podem ser uma política social: tirar dinheiro de alguns, mais ricos, para financiar outros, mais pobres. Mas precisa ser uma política clara. Dizer que não tem custo é abrir caminho para práticas que tiram do mais pobre &#8211; aquele que paga os impostos de consumo e serviços &#8211; para entregar a quem não precisa ou que está no fim da fila.</p>
<p>Boa proposta</p>
<p>No meio de tantos equívocos, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Cade, apresentou uma proposta muito boa para o comércio de combustível. São nove pontos, destacando-se:</p>
<ul>
<li>permitir que produtores de álcool vendam diretamente aos postos;</li>
<li>permitir que distribuidoras e refinarias sejam proprietárias de postos;</li>
<li>fim da proibição de importação de combustível pelas distribuidoras;</li>
<li>reduzir ICMS, mudando o sistema de cobrança;</li>
<li>permitir os postos de autosserviço, como aqueles dos EUA, nos quais o próprio consumidor passa cartão e abastece.</li>
</ul>
<p>Tudo para aumentar a competição e reduzir custos.</p>
<p><em>Não faltou só espinafre</em></p>
<p>A crise não trouxe apenas danos sociais e econômicos. Mostrou também danos morais.</p>
<p>Aconteceu num mercadinho de bairro em São Paulo. A dona, diligente, havia conseguido algumas verduras e avisou a clientela. Formou-se uma pequena fila e uma grande discussão. Uma senhora havia arrematado todos os dez maços de espinafre. No caixa, outras freguesas perguntaram se ela tinha restaurante. Não tinha. Observaram que a verdura acabaria estragada. Ela explicou que ia cozinhar e congelar. Então, foram ao ponto: caramba, havia outras pessoas na fila, ela não poderia levar só o que consumiria de imediato?</p>
<p>&#8220;Não, estou pagando e cheguei primeiro&#8221; &#8211; foi a resposta.</p>
<p>Compras exageradas nos supermercados, estoques domésticos, filas nervosas nos postos de combustível &#8211; teve muito comportamento na base de cada um por si.</p>
<p>Cabem nessa categoria as greves e manifestações oportunistas. Governo fraco, cedendo, também vou buscar o meu &#8211; tal foi o comportamento de muita gente.</p><p>The post <a href="https://sardenberg.com.br/equivocos-danos-e-uma-boa-proposta/">Equívocos, danos e uma boa proposta</a> first appeared on <a href="https://sardenberg.com.br">Carlos Alberto Sardenberg - Portal Oficial</a>.</p>]]></content:encoded>
					
		
		
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