O PREÇO DO PETRÓLEO
. Artigos IMPOSTOS SÃO ALTOS PETRÓLEO ESTÁ CARO Na sexta-feira passada, o preço do petróleo estava em alta por causa de um fator político – tensões na fronteira Iraque/Kuwait – e um fator climático – um furacão se formando no Golfo do México. Fazia sentido: o Iraque lembram-se? – já invadiu o Kuwait, depois de acusar o vizinho de roubo de petróleo, dando início à Guerra do Golfo, em 1990, ocasião em que o preço do óleo disparou. Já no outro Golfo, o do México, não apenas se produz petróleo, como lá estão refinarias que exportam para os Estados Unidos. Portanto, duas ameaças em fontes de produção, num mercado já lutando com a escassez. Passou o fim de semana, entramos na segunda e as tensões de fronteira não passavam da habitual bronca dos iraquianos, hoje sem qualquer poder de ação. Não tirou o sono nem dos habitantes do Kuwait. O furacão não passou de uma ventania e alguma chuva que apenas atrapalharam os turistas. Mas o preço do petróleo não apenas continuou em alta, como chegou a bater, ontem, em Nova York, o recorde da década. Passou dos US$ 37 o barril, fechando um pouco abaixo disso. Está mais alto do que quando havia guerra de fato no Golfo, o árabe. É assim. Quando a especulação cai em terreno fértil, o preço aumenta porque chove e depois aumenta porque pára de chover.No caso, há um claro desequilíbrio entre demanda e oferta de petróleo. O consumo está em alta, há meses, por uma boa razão, ao menos em tese. O mundo todo está em crescimento. Economias turbinadas gastam mais energia não apenas na produção mas também no consumo. O pessoal compra e usa mais automóveis. Com o poder aquisitivo em alta, os consumidores passam para modelos mais potentes – e, portanto, que bebem mais gasolina. Nos Estados Unidos, por exemplo, a moda da “Station Wagon” – esses enormes jipes e peruas luxuosas – é uma das causas do aumento no consumo de gasolina e diesel. Além disso, está chegando o inverno no hemisfério Norte, período em que se gasta óleo para aquecer residências e edifícios – especialmente nos Estados Unidos, não por acaso os maiores consumidores per capita do mundo. Assim, num mercado já apertado acrescenta-se um aumento de consumo. Na outra ponta do mercado, a produção continua limitada pelo cartel da Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Com os conflitos na Europa prosperou a idéia de que os preços do combustível chegaram às alturas por causa dos impostos. É verdade que os impostos europeus são elevados – e há pelos menos dois sólidos argumentos a favor disso: desestimular o uso de um recurso finito e proteger o meio ambiente. Os impostos foram elevados depois do primeiro grande choque do petróleo (1973), justamente com o objetivo de reduzir o consumo, estimular a economia e a busca de outras fontes. Política que, aliás, funcionou bastante bem. Hoje, nos países desenvolvidos, produz-se a mesma quantidade de mercadorias e serviços com a metade do petróleo que se consumia nos anos 70. Assim, houve uma redução proporcional do consumo, um das causas da queda de preços reais ocorrida nos anos 90. Em março do ano passado, o barril caiu abaixo dos 10 dólares e parecia que ficaria ainda mais barato dada a divisão política dos membros da Opep. Com suas receitas em queda, esses países tratavam de aumentar a exportação cada um por si, com isso elevando a oferta internacional e deprimindo ainda mais o preço. Foi nesse momento que a Opep, surpreendentemente, conseguiu se recompor. Decidiu por uma redução programada da produção e exportação, o que foi rigorosamente posto em prática. O preço começou a subir vigorosamente em abril de 1999 e triplicou em poucos meses. Não pode haver, portanto, a menor dúvida: o preço do petróleo disparou no último ano e meio por ação da Opep. Antes disso, os impostos europeus já eram elevados. Em resumo, pode-se dizer que os impostos europeus sobre o combustível são elevados por decisão política. E que os preços estão altos neste período por decisão da Opep. Em sua última reunião, o cartel concordou em acrescentar 800 mil barris diários à sua atual produção de 24,6 milhões. É claramente insuficiente para o atual nível de demanda. Dizem os membros da Opep que o alvo da organização é deixar o preço flutuar numa banda de 22 a 28 dólares o barril. Mas não parecem incomodados com os preços atuais. O barril a 30 dólares já acrescentou, só neste ano, algo como US$ 250 bilhões à receita dos 11 membros da Opep. Por outro lado, os chamados moderados do Opep têm dito que compreendem os problemas de longo prazo: petróleo caro por muito tempo leva a inflação e recessão no mundo, o que é ruim mesmo para quem está sentado em barris de petróleo. Como ainda não há sinais de inflação nem na Europa nem nos Estados Unidos, parece claro que os países da Opep estão curtindo esse preço alto. Vão fazendo caixa, de olho no cenário, para forçar uma redução no preço mais à frente. Por isso – e com a especulação em cima – os analistas entendem que o preço vai se aproximar dos 40 dólares antes de cair. Veremos. Não raro, a tentação vence. De todo modo, parece que é sina: até pouco tempo, a expansão da economia mundial estava ameaça por um eventual crash dos Estados Unidos. Na exata medida em que essa ameaça desaparece do horizonte, vem o petróleo – hoje o único fator que pode deter a economia mundial. (Veiculado no site Patagon.com.br)

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